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Caravana de Lula em Minas leva milhares à Praça da Estação

07/11/2017

Luta pela retomada da democracia é fortalecida em ato de Belo Horizonte; presidenta da CUT/MG convoca classe trabalhadora para Dia Nacional de Paralisação

Escrito por: Rogério Hilário, com informações do Instituto Lula

Com uma recepção calorosa de milhares de pessoas, que,  emocionadas, lotaram a Praça da Estação, o ex-presidente Lula encerrou a etapa de Minas Gerais da Caravana Lula Pelo Brasil na noite de segunda-feira (30), em Belo Horizonte. Lula e a ex-presidente Dilma Rousseff também foram recepcionados pelos movimentos sindical, sociais, populares e estudantis e lideranças políticas no ato público, que teve a participação de artistas como Flávio Renegado, o bloco Volta Belchior e Aline Calixto. Lula e Dilma também receberam um trabalho feito por 150 bordadeiras do grupo Linhas do Horizonte, da capital mineira.

Os dois foram homenageados pela presidenta da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT/MG) e coordenadora geral do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE/MG), Beatriz Cerqueira, que enfatizou a misoginia do golpe e entregou ao ex-presidente uma arte em papel que representa um power point com as realizações de seus governos, uma crítica aos ataques sofridos por Lula nas acusações da Operação Lava Jato. Beatriz Cerqueira também convocou todas e todos a participar, no dia 10 de novembro, do Dia Nacional de Paralisação contra as reformas trabalhista e da Previdência do governo golpista e ilegítimo de Michel Temer.

 A etapa de Minas Gerais  passou, durante oito dias, por 21 cidades do Estado. Nos braços do povo, o ex-presidente espalhou esperança e recebeu o carinho dos mineiros, por onde passou. A Caravana Lula pelo Brasil começou no dia 23 de outubro, em Ipatinga, cidade reconhecida pela história da luta sindical e fundação do Partido dos Trabalhadores, e terminou na segunda-feira (30), em Belo Horizonte.

Durante uma semana, Lula passou, além de Ipatinga e BH, por Teófilo Otoni, Governador Valadares, Periquito – no acampamento Alegria, do viveiro de mudas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Catuji, Padre Paraíso, Ponto dos Volantes, Itaobim, Itinga, Araçuaí, Coronel Murta, Salinas, Rubelita, Francisco Sá, Bocaiúva, Olhos D’Água, Couto de Magalhães, Diamantina e Cordisburgo.

"Eu aprendi a não desistir. Sou calcado na perseverança. E é com essa força que nós vamos virar o jogo e trazer a democracia de volta. Espero que os mineiros estejam na frente de batalha pra gente vencer essa briga", disse o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao encerrar a etapa mineira da caravana Lula Pelo Brasil. Uma multidão se aglomerou para ouvir o ex-presidente em ato na Praça da Estação, em Belo Horizonte.

Durante uma semana, o ex-presidente percorreu 20 cidades e visitou regiões como os vales do Aço, Jequitinhonha, Mucuri e Rio Doce. Da saída de Ipatinga até a chegada à capital mineira, a caravana Lula Por Minas Gerais testemunhou as ameaças e os retrocessos implicados pelo golpe nas conquistas sociais dos governos Lula e Dilma. A presidenta eleita também acompanhou a caravana, marcando posição no front de luta pela retomada da democracia.

Depois de passar por nove estados nordestinos e por 20 cidades mineiras, a caravana Lula Pelo Brasil tem como próximos destinos o Sul e o Norte do país. As datas ainda não foram definidas. Mas a ideia de discutir um Brasil possível, segundo Lula, segue sendo o mote das caravanas.

A ideia de um referendo revogatório, proposto por Lula, ganhou força durante a viagem. "Nós vamos ganhar as eleições e vamos convocar um referendo para revogar todas as baderneiras que fizeram nesse país. Eles destruíram a legislação trabalhista, agora querem jogar a culpa na previdência. Saibam que o Brasil vai ser o país que a gente quiser e não o que o Temer quiser", disse o ex-presidente.

Em Minas, Lula reencontrou fragmentos da História brasileira. Na cidade de Diamantina, o ex-presidente fez questão de visitar o Museu Casa JK, onde Juscelino Kubitschek viveu os primeiros anos de sua vida. JK também foi lembrado durante o discurso de encerramento da caravana, quando Lula relembrou a perseguição sofrida pelo ex-presidente.

"Achincalharam o JK e até hoje não provaram que o apartamento era dele. Demonizaram Getúlio até que ele não suportasse, repetiram a perseguição com Jango. Pois eu digo que sou mais paciente que o Getúlio e o Jango, e talvez seja tão paciente quanto o JK", refletiu Lula. "Tentaram tirar ele três vezes e ele sempre humilde perdoava", acrescentou Lula, ao fazer um paralelo com a situação a qual setores do judiciário tem submetido sua eventual candidatura. 

Na terra da Inconfidência, Lula também relembrou Tiradentes. "Eles mataram a carne mas não mataram os ideais da Independência. Como não podem me enforcar, eles decidiram inventar uma mentira. Mas o Lula é uma ideia que está na cabeça de todos vocês. Todos vocês são milhões de lulinhas que querem mudar esse país", destacou.

Educação e soberania

Os desmontes na educação e a perda da soberania brasileira também marcaram os debates durante a viagem. Lula se reuniu com reitores de institutos federais e visitou regiões industriais afetadas pelas políticas entreguistas do atual governo.

"Não existe no planeta terra nenhum país que cresceu economicamente pela ignorância, pelo analfabetismo ou pelo empobrecimento. Todos investiram na educação", pontuou.

"Nós passamos noites e noites acordados para criar uma política de conteúdo nacional para que a gente pudesse fortalecer a indústria nacional e dependesse menos dos estrangeiros. Não pensem que descobrimos o pré-sal por sorte, e sim porque investimos em pesquisa", ressaltou.

Reconstruir a democracia

 “Nós vamos barrar este golpe parlamentar, claramente comprado com o dinheiro da corrupção.  Golpe baseado em um impeachment  fraudulento. Aécio Neves, golpista; Michel Temer, golpista, estão são e salvos. Vivemos um momento em que é possível e legal, ter um presidente ilegítimo e sem voto, acusado e denunciado de corrupção, exercendo o poder e contrariando os interesses da nação. Enquanto uma presidenta correta, que não cometeu crime nenhum é afastada. Que mundo é esse em que algumas coisas ilegais se tornam legais. Que legalidade é essa em que perseguem e tentam destruir um inimigo político, como acontece com o companheiro Lula. Enquanto isso, o presidente ilegítimo, que não teve voto, produz uma emenda constitucional que corta os investimentos em saúde e educação, uma legislação trabalhista que abre as portas para a volta da escravidão. Um país que pega o pré-sal e vende na bacia das almas. Que vende a Eletrobrás. Um presidente que faz isso é um golpista, um entreguista do país”, disse Dilma Rousseff.

“As nossas caravanas são formas de discussão. Este encontro de lula com os mineiros. Estã mostrando uma realidade muito importante. A gente vê nas pesquisas, o presidente Lula vencendo com o apoio da população. Que tem memória,  sabe das conquistas sociais. Sabe do Mais Médicos, do Pro-Uni, do Fies. Sabe da importância da democracia. Sempre que tivemos a democracia, nós avançamos. Em quatro eleições, nós derrotados o programa neoliberal. E daí só restava para eles o caminho que sempre usava. O caminho do golpe. O caminho que estamos traçando com o Lula é o caminho da democracia. Eles vão tentar nos amedrontar. Não temos o menor medo deles. Este ato, esta caravana são uma prova da coragem e da determinação dos homens e das mulheres mineiros. Nós temos que resistir, temos que lutar. Nós mulheres, como disse o presidente Lula da sua mãe: ela teimava. Nós mulheres teimamos e com teimosia vamos reconstruir a democracia”, concluiu Dilma Rousseff.

Dia Nacional de Paralisação

Representando os movimentos sociais, o movimento sindical e a Frente Brasil Popular, Beatriz Cerqueira, inicialmente, se dirigiu à ex-presidenta Dilma Rousseff.  “Boa noite a todos nós que desde 2015 não saímos das ruas na luta pela democracia e contra o golpe. Nossa luta não começou ontem. Você nos representa, você nos ensinou a enfrentar os golpistas, os corruptos, machismo, a misoginia de cabeça erguida. Se estivéssemos em um país sério, com um Judiciário sério, este golpe de Estado estaria anulado neste momento. Como o Judiciário está a serviço do golpe, nós estamos a serviço da democracia. Quero dizer, em nome das mulheres das mulheres mineiras, que você nos representa. Você  nos encheu de orgulho e de esperança, você nos ensino que nós temos o direito de sermos o que nós quisermos. Por isso que nós rasgamos as páginas amarelas da revista ‘Veja’, quando disseram que a mulher brasileira era bela, recatada e do lar. Nós mulheres somos o que queremos ser e isso você escreveu na nossa história. Por isso, muito obrigado à presidenta”, disse a presidenta da CUT/MG.

Beatriz Cerqueira se dirigiu, em seguida, ao ex-presidente Lula. “Minha segunda tarefa neste grupo é entregar ao presidente Lula o nosso power point. Sabe que  Minas Gerais adora um power point. Nós queremos mostrar tudo pelo qual você é culpado. É por você fazer com que o Estado brasileiro fosse para mais pessoas e não apenas para um grupo privilegiado é que hoje tentam te criminalizar. A sua criminalização Lula, é minha. Mexeu com você, mexeu comigo, mexeu com Minas Gerais. Minas Gerais é isso aqui: não tem vergonha da cor da camisa que a gente veste, não tem vergonha da bandeira, não tem vergonha da luta que a gente faz. É por isso que aqui em Minas Gerais a gente derrota o neoliberalismo quantas vezes forem necessárias, pelo tempo que for necessário. Eu que quero reafirmar o nosso compromisso: o golpe de Estado foi contra cada um de nós. Então, como o senhor disse em Diamantina, a gente é lembrado pela luta que a gente faz. E nós continuaremos de cabeça erguida fazendo a luta necessária, pelo tempo que for necessário, até que a gente interrompa este golpe”, afirmou.

“A ruptura democrática feita por eles, quem está pagando a conta somos nós. Os 40 milhões que você tirou da miséria estão voltando para a miséria. Aqui em Belo Horizonte está cheio de morador de rua, as pessoas não têm mais vaga na universidade, o salário mínimo não está crescendo. Rasgaram a CLT, congelaram os investimentos por 20 anos e querem aprovar a reforma da Previdência. Quem é de classe e é classe trabalhadora tem que estar nas ruas pelo tempo que for necessário até que a gente interrompa este golpe. Este debate não é partidário, como a mídia comercial tenta dizer, este debate é de classe. Nós temos lado e é este lado que nós estamos aqui e ficaremos pelo tempo necessário”, acrescentou Beatriz Cerqueira.

Para a presidenta da CUT/MG, a passagem de Lula por Minas foi a maior caravana da história do Brasil. Ela encerrou sua participação do ato com uma convocação para o Dia Nacional de Paralisação, em 10 de novembro.  “Olha Lula, eu sempre respondo às provocações, li por aí que alguém escreveu que esta caravana é um fracasso. Mais dois fracassos como este e você está eleito como presidente da República. Não andaram pelo asfalto e pela terra como nós andamos, não olharam na cara do trabalhador  rural que andou 10 km para te ouvir, não viram o povo do Jequitinhonha debaixo de sol e cheio de esperança. O que a gente viu foi isto. O que vimos nesta caravana foi pessoas simples, comuns querendo chegar perto deste homem e desta mulher.  Foi a maior caravana deste país. Como vamos  continuar nas ruas, 10 de novembro é dia de parar o país contra as reformas trabalhista e da Previdência. O que está em jogo é nossa vida, a vida de nossos filhos, nossos netos. Viva a classe trabalhadora, viva a presidenta Dilma, viva o presidente Lula.”

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